quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

As eleições para governo do Estado e as difíceis definições de alianças regionais

Após cinco anos afastada deste blog escolhi um tema provocador para a minha volta. As difíceis definições de alianças para a eleição majoritária no Rio Grande do Sul. Neste ano atípico de 2014, onde provavelmente teremos quatro candidatos ao governo do estado e quatro candidatos ao senado, as alianças estão mais do que nunca atreladas ao cenário nacional. As afinidades eletivas serão definidas por quem pode dar palanque para Dilma, Aécio e Campos/Marina.

Mas isto não é matemática simples. Vou usar como exemplo o PMDB. Exatamente como há quatro anos atrás vemos o PMDB gaúcho fazer o discurso de dissidência da campanha nacional. PMDB e PT gaúcho não se bicam, são rivais históricos. Mas as chances do PMDB gaúcho ficar independente do cenário nacional e poder fazer campanha para Aécio ou Campos é remotíssima. O PMDB gaúcho era Serra em 2010, com a exceção de Mendes Ribeiro e Padilha. Fogaça era Serra em 2010, mas não podia falar sobre isto no HPEG. Nos últimos dias de propaganda política o PMDB nacional desceu por aqui e impôs a colocação de Michel Temer no programa do Fogaça. E acabou a independência. Fogaça passou por murista a campanha inteira e no fim teve que aderir a campanha de eleição de Dilma.

Neste sentido não vejo diferença entre o cenário de 2010 e o de 2014. Os riscos do PMDB são os mesmos. Seja Sartori candidato, seja outro qualquer. Lideranças de oposição ao PT como o senador Pedro Simon podem até desejar o contrário, mas a história tem sido outra. A tendência é que os argumentos do trio Michel Temer, Padilha e Mendes revertam as dissidências. O apoio a Dilma restringe as alianças que os peemedebistas poderiam fazer e o partido fica praticamente obrigado a ter candidato próprio. Este é o cenário mais provável.

No caso do PSB, que já está coligado com a REDE e possivelmente com o PV, a necessidade é garantir um palco para Eduardo Campos. Casando com o PMDB, teria que arcar com o risco eminente do partido não conseguir ficar independente do cenário nacional, como já ocorreu antes. No caso de entrar na coligação com a candidatura ao Senado, em acordo com o Senador Simon, poderia ter independência discursiva no horário político. Mas seria um híbrido.

No caso do PSB coligar-se com o PP gaúcho, partido que também se coloca de forma independente do PP nacional (que tem Ministérios no governo Dilma), a chapa ficaria bastante competitiva, mas teria que azeitar as relações entre militantes dos partidos envolvidos que já diferiram em questões econômicas e ambientais, como o Código Florestal, por exemplo. Por outro lado o cenário econômico previsto para o RS é bastante sombrio e o próximo governador terá que ter a coragem para fazer as reformas necessárias e enfrentar interesses corporativos. Na minha opinião a candidatura de Ana Amélia é a que tem maiores chances de vencer o PT de Tarso, pois tem o discurso da austeridade nas finanças públicas, da gestão eficiente e também dialoga com os diversos setores produtivos do Estado. Além disto a Senadora tem credibilidade e aparentemente seu capital social e político não sofreu desgastes com a derrota de Manuela à prefeitura.

O PDT tem Vieira da Cunha na cabeça de chapa e Lasier na candidatura ao Senado, sobrando só o posto de vice para negociar. Vieira já esteve reunido com representantes de sete partidos políticos para discutir um projeto de governo para o Rio Grande do Sul.  O frentão seria composto por PDT, PSD, PSC, DEM, PR e PPS, partidos que assinaram um manifesto intitulado "Parceria pelo desenvolvimento do Rio Grande do Sul". O PSD ainda poderá vir a ter candidatura própria e enfraquecer o frentão.

O PDT nacional detém o Ministério do Trabalho desde 2007 e apesar do presidente nacional da sigla, Carlos Lupi (PDT), já ter adiantado que o partido apoiará a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) nos estados, há um grupo de pedetistas que defende candidatura própria e a imediata entrega dos cargos federais. O PDT gaúcho pode optar pelo apoio a Campos, mas a decisão sairá na convenção oficial do PDT, dia 21 de junho, em São Borja.

Já o PSDB está bastante isolado neste contexto, tendo que abrir palanque para Aécio, mas sem  parceiros para alianças. Poderá ser uma alternativa para o PMDB, em caso do partido conseguir se manter neutro.

O PT de Tarso tem o PTB, os pequenos partidos como aliados e ainda a indefinição do PC do B de Manoela. O núcleo pensante do Partido dos Trabalhadores teria até sondado o líder empresarial e presidente do PSD, José Cairoli para o posto de vice, em uma composição que ajudaria a dar uma imagem desenvolvimentista para a chapa. Cairoli é pré-candidato ao governo do Estado e dificilmente se uniria ao PT, mesmo por que tem discordâncias históricas em relação a temas caros aos petistas como o Salário Mínimo Regional e os altos impostos.

Toda esta análise mostra o complexo cenário que a política gaúcha vive hoje, com partidos regionais querendo decidir as alianças conforme o contexto político regional, mas enfrentando forças que ainda não mostraram em plenitude a pressão que podem exercer. O quadro deve estar decidido entre junho e julho, durante a Copa do Mundo, mas as campanhas prometem ser bastante interessantes.

Provavelmente Dilma contará com três palanques: PT, PMDB, e talvez o PDT. Aécio apenas com o do PSDB e Campos/Marina dependendo dos rumos do PSB, que não tem candidato próprio ao governo, mas que está entre apoiar Ana Amélia e Sartori. A aliança com a forte Ana Amélia seria a chance de Campos ter um palanque, visto que a tendência é Dilma ter três palanques, tornando a disputa muito dura.

Um comentário:

  1. Uma coisa é certa: a eleição será dura. O jogo não está jogado.

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